Comitê da Meta aponta falhas recorrentes na moderação de conteúdo eleitoral
Órgão cita contas de anúncios de Lula e cobra indicadores públicos; Meta nega favorecer candidatos ao TSE
O Comitê de Supervisão da Meta afirmou nesta terça-feira (20) que a empresa comete falhas recorrentes na moderação de conteúdo eleitoral, entre elas a aplicação excessiva de regras contra contas de anúncios do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo o colegiado, a análise desse caso deveria ter passado por um grupo interno de especialistas da empresa. O órgão, que revisa de forma independente decisões de moderação da companhia, cobra mais transparência e consistência na aplicação das regras durante as eleições.
Na noite de segunda-feira (19), a Meta enviou manifestação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em que nega ter favorecido o alcance de publicações de qualquer candidato. A empresa afirma que os conteúdos das duas candidaturas recebem tratamento igual e sem discriminação. Um documento técnico anexado ao processo descreve o mecanismo usado para isso.
A manifestação responde a determinação do ministro Marco Aurélio Bellizze, que na semana passada pediu informações sobre as medidas de isonomia entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), candidatos ao segundo turno da eleição presidencial. O pedido partiu da coligação do petista, que reclamou de favorecimento a publicações do adversário.
As fontes divergem sobre a extensão da medida aplicada às contas de Lula. Algumas falam em restrições de impulsionamento; outras, em retirada da conta de anúncios. A Meta classificou os problemas como incidentes técnicos.
No caso dos Estados Unidos, o comitê questiona por que um erro envolvendo contas do movimento No Kings, que organiza protestos contra o presidente Donald Trump, não foi detectado pelos sistemas de prevenção da empresa. O órgão também pergunta por que essas contas não entraram no programa de verificação cruzada, que prevê revisão humana antes de decisões sobre entidades cívicas.
O comitê lembra que, após as eleições presidenciais de 2022 no Brasil, recomendou à Meta a criação de indicadores mensuráveis para avaliar a integridade eleitoral. A empresa divulga números gerais, como o total de anúncios armazenados e de contas removidas, mas não publica métricas que mostrem a eficácia de suas medidas. Para o comitê, esse quadro precisa mudar.
O comitê menciona alegações de interferência eleitoral feitas após os episódios envolvendo as contas de Lula. A Meta nega que tenha interferido na eleição brasileira.
Em 2025, a Meta prometeu ampliar a liberdade de expressão e reduzir erros em eleições e debates políticos. Segundo o comitê, a empresa ainda precisa avançar para cumprir essa promessa.
As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos estão marcadas para novembro.
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