Zelenski ordena retomada de ataques a refinarias russas após trégua com Trump
Kremlin acusa Kiev de violar a trégua, e Zelenski diz que os EUA restringiram inteligência e serviço de satélite usados pela Ucrânia
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, ordenou nesta quinta-feira (15) a retomada dos ataques a refinarias russas. A decisão contraria a trégua anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para esse tipo de ação.
Ao menos duas instalações foram atingidas por drones, segundo a Folha. Em entrevista ao Financial Times, Zelenski afirmou que a trégua "acabou". A BBC informa que ele havia restringido os ataques por três dias, período em que a Rússia manteve bombardeios à infraestrutura energética ucraniana. Zelenski disse que dezenas de cidades ucranianas sofreram ataques russos no último dia.
O Kremlin acusou Kiev de tentar atacar uma refinaria ao sul de Moscou na madrugada desta quinta, segundo a BBC. O Ministério da Defesa russo afirmou que mísseis e drones foram interceptados e que destroços causaram um incêndio na unidade de Riazan. O presidente russo, Vladimir Putin, disse que a Ucrânia também tentou atingir refinarias na quarta-feira, o que Kiev nega. Ambas as reportagens dizem que Moscou acusou a Ucrânia de atingir refinarias durante a trégua, algo que Zelenski rejeitou.
Zelenski acusa os Estados Unidos de restringir o compartilhamento de inteligência sobre ataques russos para pressionar Kiev a interromper os bombardeios. A Folha relata que ao menos dois ataques com mísseis balísticos russos ocorreram sem o aviso prévio habitual dos sistemas de vigilância e satélites americanos, com destruição e mortes em Kiev.
A Ucrânia também teve restrições ao Starlink, serviço de internet por satélite do bilionário Elon Musk, usado pelas forças ucranianas. Segundo o governo de Zelenski, a operação na linha de frente foi suspensa em diversas ações. Fontes de defesa ucranianas disseram à BBC que parte das funções do serviço foi restabelecida na quinta-feira. Musk afirmou que a responsabilidade era do governo americano, já que a versão militar, o Starshield, é gerida pelas forças dos EUA.
O governo Trump também costurou um acordo para que a Rússia forneça diesel aos Estados Unidos e a outros países. Segundo a Folha, o acordo prevê até US$ 4 bilhões em diesel. A BBC cita um volume de 300 mil toneladas, sem valor em dólares. As duas reportagens não informam valores equivalentes, e o arranjo ainda não está claro.
Com o avanço das restrições ao Starlink, não está claro se a operação será mantida. Também não está confirmado se as limitações impostas aos drones foram totalmente suspensas.
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