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Mundo17h32

Trailer de Call of Duty imagina invasão norte-coreana; especialistas avaliam chance real

Analistas e um relatório de inteligência dos EUA consideram mais provável uma ação limitada do que uma ofensiva em larga escala.

Por Redação Dado Bruto · Fontes
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Ilustração: globo com meridianos e uma órbita
Ilustração: dadobruto.com · sobre as imagens

O trailer de Call of Duty: Modern Warfare 4 imagina a Coreia do Norte atacando a Coreia do Sul com mísseis. O lançamento do jogo está previsto para 23 de outubro, e o vídeo já teve 61 milhões de visualizações.

No início da peça, recrutas sul-coreanos aparecem em uma patrulha de rotina. Em seguida, um ataque de mísseis reinicia os combates entre os dois países, que assinaram um armistício em 1953. Críticos dizem que a produção transforma um conflito não resolvido em entretenimento. Outros elogiam o fato de a história ser contada pelo ponto de vista dos soldados sul-coreanos.

Especialistas avaliam que uma invasão em larga escala é menos provável do que ações limitadas. Um relatório de 2023 da Comunidade de Inteligência dos Estados Unidos afirma que Pyongyang tende a usar seu arsenal de mísseis balísticos e nucleares para ampliar a influência regional e dissuadir adversários, e não para lançar uma ofensiva ampla. Markus Garlauskas, ex-oficial de Inteligência Nacional dos EUA para a Coreia do Norte e atualmente no Conselho do Atlântico, em Washington, diz que um ataque ao Sul seria provavelmente de “escala limitada”, com mísseis e risco de escalada nuclear.

A península foi dividida após a Segunda Guerra Mundial. Em 25 de junho de 1950, forças do Norte invadiram o Sul, o que deu início à Guerra da Coreia (1950-1953). O conflito opôs blocos da Guerra Fria. As forças norte-coreanas tomaram Seul em três dias. Em setembro de 1950, um desembarque liderado pelo general americano Douglas MacArthur (1880-1964) em Incheon mudou o rumo da guerra em favor do Sul. Um mês depois, a China entrou no conflito.

O armistício foi assinado em 27 de julho de 1953 pela Coreia do Norte, pela China e pelo Comando da ONU, liderado pelos Estados Unidos. A Coreia do Sul se recusou a assinar. O acordo não é um tratado de paz, e os dois países seguem tecnicamente em guerra. Uma zona desmilitarizada de 4 km de largura separa as tropas. Estima-se que pelo menos três milhões de pessoas tenham morrido nos combates.

Em janeiro de 2024, o líder norte-coreano Kim Jong-un declarou ao Parlamento que o país abandonou a reunificação como objetivo nacional. A Constituição passou a descrever a Coreia do Sul como o principal inimigo do Norte, e determina que os dois Estados sejam tratados como separados e hostis. Os Estados Unidos mantêm cerca de 28,5 mil soldados no Sul, em aliança com Seul.

As estimativas militares apontam para 1,2 milhão de soldados no Norte e 450 mil no Sul. O Norte também tem mais tanques, peças de artilharia e mísseis. Por outro lado, o orçamento de defesa sul-coreano é estimado em US$ 43 bilhões (R$ 216 bilhões), contra cerca de US$ 1,6 bilhão (R$ 8 bilhões) do Norte. Segundo os cálculos citados, o gasto militar do Sul supera toda a economia norte-coreana. As fontes não informam o ano de referência dessas estimativas.

O professor Fyodor Tertitskiy, da Divisão de Estudos Internacionais da Universidade da Coreia, em Seul, pede cautela: “cautela ao menosprezar as vantagens da Coreia do Sul no poderio aéreo”. Ele também afirma que o Exército Popular Coreano tem uma estrutura rígida e centralizada, desenhada para proteger o líder contra golpes, e não para ser eficiente. Muitas decisões das unidades exigem aprovação de autoridades políticas.

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