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Juro da dívida francesa supera o dos EUA em meio a crise orçamentária

Rendimento do título francês de 10 anos chega a 5,089%, o maior desde julho de 2022, enquanto Paris enfrenta protestos e impasse no Parlamento

Por Redação Dado Bruto · Fontes
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Ilustração: globo com meridianos e uma órbita
Ilustração: dadobruto.com · sobre as imagens

O custo de empréstimo da França voltou a subir nesta quinta-feira (22), e o rendimento de seus títulos de 10 anos ultrapassou o dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos pela primeira vez desde 2013, segundo o The Guardian. A alta ocorre enquanto o governo francês tem dificuldade para aprovar o orçamento do próximo ano.

O rendimento do bônus francês de 10 anos, conhecido como OAT, subiu 9 pontos-base, para 5,089%, no início do pregão. É o maior nível desde julho de 2022. Na véspera, o indicador havia ultrapassado a marca de 5% pela primeira vez desde 2002. A diferença entre os juros franceses e alemães de mesmo prazo, usada como medida do prêmio de risco da dívida da França, atingiu o patamar mais alto em quase 15 anos.

O impasse no Parlamento bloqueou a proposta do presidente Emmanuel Macron de elevar a idade mínima para aposentadoria de 62 para 64 anos, além de um conjunto de medidas para conter os gastos públicos. Em 2025, o déficit orçamentário francês equivaleu a 5,1% do Produto Interno Bruto (PIB), e a dívida pública chegou a 115,6% do PIB.

O país também enfrenta protestos que, na última semana, saíram do controle em cidades como Paris, Bordeaux, Nice e Marseille. Manifestações pacíficas reuniram dezenas de milhares de pessoas em defesa de mais professores e reformas em escolas degradadas, mas grupos entraram em confronto com a polícia. Prédios públicos foram atacados e milhares de lojas e estabelecimentos foram saqueados. Segundo o Ministério do Interior, quase 2.400 pessoas foram presas.

A inflação mais alta, provocada pela guerra no Irã, também pressiona as contas do país. Jim Reid, estrategista do Deutsche Bank, afirmou que a venda de títulos do governo francês começou a se espalhar para outros países. O spread italiano de 10 anos, em relação aos bônus alemães, subiu 3,8 pontos-base, para 116 pontos-base, e o espanhol avançou 3,1 pontos-base, para 66 pontos-base, o maior nível desde junho de 2025.

Carsten Brzeski, do banco ING, disse que a alta dos juros reforçou a postura "restritiva" do Banco Central Europeu (BCE), cuja decisão sobre juros ocorre na próxima semana. A instituição elevou a taxa básica para 2,5% em setembro. Segundo ele, o BCE deve manter a taxa na próxima reunião e adiar qualquer nova alta para dezembro. Ele afirmou que uma solução para o problema fiscal francês poderia aliviar o mercado de títulos e permitir novas altas de juros pelo BCE.

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