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Mundo07h35

Garantia de emprego é proposta como resposta ao desemprego causado por IA

Apoiadores afirmam que o programa pode reduzir custos com benefícios sociais, e uma proposta nos EUA prevê tributar empresas de inteligência artificial.

Por Redação Dado Bruto · Fontes
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Ilustração: gráfico de barras em alta e pilha de moedas
Ilustração: dadobruto.com · sobre as imagens

Uma garantia de emprego, na qual o governo oferece trabalho remunerado a quem quiser trabalhar, é apontada como possível resposta a um desemprego em massa provocado pela inteligência artificial. Segundo o The Guardian, a ideia ganha apoio crescente nos Estados Unidos.

Executivos do setor de tecnologia têm feito previsões sobre o impacto da IA no trabalho. O bilionário Bill Gates afirmou que, em uma década, pessoas não serão necessárias para "a maioria das coisas". O CEO da Anthropic, Dario Amodei, alertou para desemprego generalizado em um a cinco anos, com impacto em profissões como direito, tecnologia e finanças.

A versão mais ambiciosa do programa garantiria a qualquer pessoa um emprego com salário digno. Os defensores dizem que ele protegeria milhões de pessoas dos danos financeiros e psicológicos do desemprego e mobilizaria trabalhadores em infraestrutura, adaptação climática e cuidado de idosos e crianças. A ideia tem histórico: a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, prevê proteção contra o desemprego, e o governo de Franklin Roosevelt criou nos anos 1930 a Works Progress Administration (WPA). França, Índia e Argentina também adotaram versões do programa.

Uma pesquisa global e levantamentos nos EUA indicam mais apoio à garantia de emprego do que à renda básica universal. O investidor Nick Hanauer afirmou que "empregos representam muito mais que renda nas sociedades humanas". Algernon Austin, do Center for Economic and Policy Research, disse que o trabalho gera experiência, habilidades e rede de contatos.

O custo é disputado. Em audiência no Senado americano em junho, o senador republicano John Kennedy, da Louisiana, afirmou que o programa custaria trilhões de dólares. Ao ser questionado pela economista Julie Margetta Morgan, do Century Foundation, sobre seu apoio à medida, perguntou se ela acreditava no coelho da Páscoa. Já Max Kasy, professor da Universidade de Oxford, que estudou um experimento na Áustria, disse que o programa gera economia com seguro-desemprego e recebe impostos e contribuições. Pavlina Tcherneva, do Bard College, citou ganhos de bem-estar e afirmou que o custo do programa é "um investimento".

Em setembro, a deputada democrata Ayanna Pressley, de Massachusetts, reapresentou uma resolução para criar uma garantia federal de emprego, proposta que fez pela primeira vez em 2021. O texto prevê pagamento de pelo menos 25 dólares por hora, com reajustes pelo custo de vida. Outra proposta, apoiada pelos deputados democratas Greg Casar, do Texas, Valerie Foushee, da Carolina do Norte, e Sara Jacobs, da Califórnia, tributaria grandes empresas de IA para financiar o programa.

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