EUA proíbem uso do DeepSeek em órgãos federais civis; China cobra revogação
Ordem do Departamento de Segurança Interna cita risco de envio de dados à China; Pequim também contesta sanções a cinco entidades chinesas.
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos ordenou a remoção dos produtos da startup chinesa DeepSeek dos sistemas de TI de agências federais civis. A determinação foi anunciada na segunda-feira (19).
A ordem também proíbe que essas agências comprem produtos da DeepSeek. Ela alcança ainda serviços de terceiros desenvolvidos com base no modelo de inteligência artificial da empresa. Segundo o departamento, os modelos da DeepSeek apresentam “múltiplos vetores de ameaça”. O órgão afirma que o uso por funcionários ou fornecedores do governo pode levar à transferência de dados sensíveis para a China.
O comunicado diz que os servidores da DeepSeek ficam na China. Pelo texto, a legislação chinesa dá ao governo “ampla autoridade” para acessar a infraestrutura de empresas privadas. A medida vale apenas para órgãos civis. Agências do Departamento de Defesa ficam de fora. O Departamento de Defesa não respondeu a pedido de comentário da agência de notícias AFP.
O Ministério do Comércio da China criticou a decisão e exigiu que Washington “corrija imediatamente as práticas incorretas… e revogue as medidas restritivas discriminatórias relevantes”. Pequim disse que acompanhará os desdobramentos e “tomará todas as medidas necessárias” para proteger seus interesses. O governo chinês também pediu que os dois países usem o mecanismo de diálogo bilateral sobre inteligência artificial para tratar das divergências.
Na mesma segunda-feira, o Departamento de Estado dos EUA sancionou cinco entidades chinesas. Os Estados Unidos as acusam de roubar segredos comerciais ligados à IA. Uma delas é a Shanghai Zhisuan Technology, fundada pelo ex-engenheiro de software do Google Linwei Ding. Também foram alvo uma empresa de capital de risco que financiou a Zhisuan e três entidades relacionadas.
Em janeiro, um júri considerou Ding culpado pelo furto de segredos comerciais relacionados a inteligência artificial pertencentes ao Google, com o objetivo de favorecer duas companhias chinesas. Já em agosto, uma parte da sentença condenatória foi revertida. De acordo com as matérias publicadas, o governo dos Estados Unidos sustenta que a DeepSeek e outras firmas chinesas do setor de IA copiam de forma sistemática funcionalidades de modelos avançados desenvolvidos por concorrentes americanos.
O Ministério do Comércio chinês manifestou “firme oposição” às sanções. Disse que os EUA “exageram a questão do chamado ‘roubo de segredos comerciais’” e difamam empresas chinesas. A DeepSeek não comentou o caso até a publicação desta matéria.
A DeepSeek ganhou destaque em janeiro de 2025, com um chatbot de baixo custo e alto desempenho, que desafiou a percepção de domínio dos EUA no setor. A empresa lançou o modelo V4 em abril. Em setembro, Estados Unidos e China concordaram em criar um “canal de comunicação” para incidentes relacionados à IA. O tema deve voltar à pauta na cúpula entre os presidentes Xi Jinping e Donald Trump, prevista para novembro, na cidade chinesa de Shenzhen.
Comentários
- Carregando comentários…