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Faber para de vender livros de Sally Rooney no Reino Unido por apoio à Palestine Action

A autora pretende destinar direitos autorais ao grupo, banido no Reino Unido como organização terrorista, e a editora diz não poder repassar os ganhos.

Por Redação Dado Bruto · 14 out. 2026, 17h31 · Atualizada em 16 out. 2026, 23h27 Fontes
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A editora Faber & Faber deixará de fornecer os livros da escritora irlandesa Sally Rooney no Reino Unido, em qualquer formato. A decisão foi tomada em acordo com a autora e foi divulgada em comunicado nesta quarta-feira (14).

O motivo é o apoio de Rooney ao Palestine Action, grupo pró-Palestina que o governo britânico classificou como organização terrorista. A autora afirmou que pretende destinar parte dos seus ganhos ao grupo. Segundo a editora, a legislação britânica impede que ela repasse à escritora os rendimentos obtidos no país com as obras.

Em comunicado, a Faber afirmou que vender a obra de uma autora sem poder repassar a ela os rendimentos é uma "situação inconcebível para uma editora". A editora disse que seguirá vendendo os livros em outros territórios.

Rooney declarou que fez o possível para ser transparente sobre suas convicções e que está preparada para aceitar as consequências. Em nota à BBC, ela disse que a publicação continuada de sua obra no Reino Unido pode constituir um crime grave. Segundo as reportagens, a autora publicou em agosto de 2025 um artigo no jornal irlandês The Irish Times em que anunciou o plano de seguir apoiando o grupo. Ela também desistiu de ir ao Reino Unido para receber um prêmio, por temer ser presa.

O Palestine Action foi banido no Reino Unido após uma invasão à base de Brize Norton, da Força Aérea britânica. O governo disse que o grupo tinha histórico de danos criminosos e atacava empresas de defesa ligadas a Israel. A Irlanda não proíbe a organização, e Rooney vive no país.

A Alta Corte de Londres decidiu em fevereiro contra a proibição, em ação movida pela cofundadora do grupo, Huda Ammori. Em junho, porém, o Tribunal de Apelação reverteu essa decisão. A Suprema Corte deve analisar um recurso no próximo mês.

Desde a proibição, mais de 3 mil pessoas foram presas no Reino Unido por exibirem cartazes em apoio ao grupo, segundo a CNN Brasil e a Folha. A BBC fala em mais de 3.700 prisões suspeitas de apoio ao grupo. Organizações de defesa das liberdades civis criticam a classificação do Palestine Action como organização proscrita.

Os livros já à venda nas livrarias britânicas podem continuar sendo vendidos enquanto houver estoque, segundo a BBC e o g1. Entre as obras da autora estão "Pessoas Normais", "Conversas entre Amigos" e "Belo Mundo, Onde Você Está".

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