MP de SP pede condenação de Renato Cariani por tráfico e lavagem de dinheiro
Acusação cita desvio de cerca de 12 toneladas de insumos usados no refino de cocaína e crack
O Ministério Público de São Paulo pediu à Justiça a condenação do empresário e influenciador Renato Cariani por tráfico de drogas, tráfico de insumos e lavagem de dinheiro. Segundo a acusação, ele participou de um esquema de desvio de produtos químicos usados na fabricação de cocaína e crack.
Conforme informou o Correio Braziliense, a promotoria protocolou suas alegações finais em 21 de outubro. O processo criminal está na 3ª Vara Criminal de Diadema, cidade da Grande São Paulo. Agora a defesa ainda pode se pronunciar, e só depois disso o juiz vai proferir sua decisão, sem data prevista para que isso aconteça.
Além de Cariani, o Ministério Público pediu a condenação de Roseli Dorth, sócia dele na Anidrol Produtos para Laboratórios, empresa de venda de produtos químicos com sede em Diadema. A CNN Brasil informa que outras quatro pessoas também respondem ao processo pelos mesmos crimes. A advogada de Dorth não respondeu aos questionamentos da Folha até a publicação.
A investigação apontou que parte dos produtos vendidos pela Anidrol era desviada. Para justificar a saída das mercadorias, a empresa teria emitido notas fiscais de operações que, segundo a apuração, não haviam sido solicitadas pelos compradores indicados. O Correio Braziliense registra 59 operações suspeitas, enquanto a CNN Brasil fala em sessenta transações.
Segundo as três reportagens, os documentos citavam o nome da farmacêutica AstraZeneca, que comunicou às autoridades não reconhecer operações registradas em seu nome. A empresa também negou ligação com a Anidrol.
Cerca de 12 toneladas de produtos teriam sido desviadas, entre eles acetona, éter etílico, ácido clorídrico, manitol e fenacetina, de acordo com a investigação. Essas substâncias são usadas no refino e na adulteração de cocaína e crack.
Em nota ao Correio Braziliense, o advogado Aldo Romani Netto afirmou que recebeu “com naturalidade” o pedido de condenação. Ele disse que a defesa vai responder a cada tese da acusação com base nas provas do processo e declarou confiar na absolvição de Cariani. A mesma manifestação foi enviada à CNN Brasil.
As reportagens divergem sobre o período dos desvios. A Folha cita os anos de 2016 a 2020, e a CNN Brasil, de 2014 a 2020. Também há divergência sobre a operação da Polícia Federal que levou às investigações: o Correio a chama de Operação Hinsberg e a situa em dezembro de 2023, enquanto a CNN usa a grafia Heinsberg, e a Folha cita outra operação, a Downfall, com prisões no início de 2023.
Cariani responde ao processo em liberdade, segundo o Correio Braziliense.
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