Carlos Alberto de Nóbrega passa por cirurgia para implantar marcapasso
Apresentador está internado no Sírio-Libanês com infecção pelo vírus Coxsackie que agravou insuficiência cardíaca prévia
O apresentador Carlos Alberto de Nóbrega, de 90 anos, será submetido a uma cirurgia para implantação de marcapasso na tarde desta terça-feira (20), no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde está internado. O procedimento estava previsto para segunda-feira (19) e foi adiado.
A infecção pelo vírus Coxsackie agravou uma insuficiência cardíaca que ele já tinha. Segundo as reportagens, o coração passou a bater mais devagar, condição chamada bradicardia, e surgiram outras arritmias. A cirurgia busca corrigir essa alteração do ritmo.
Os veículos divergem sobre a data em que o apresentador foi internado. O Metrópoles informa sexta-feira (16). O Correio Braziliense cita domingo (18). O Olhar Digital e o G1 falam apenas em internação na semana anterior.
O adiamento da cirurgia foi explicado de formas próximas. A CNN Brasil ouviu a nora do apresentador, que disse que o médico Roberto Kalil decidiu pela colocação do marcapasso na noite de domingo. O Correio Braziliense afirma que a intervenção foi cancelada após melhora no quadro, e que a equipe decidiu reavaliar sua necessidade. A CNN Brasil relata que a melhora foi a causa do adiamento.
Segundo a assessoria do apresentador, ao G1 e ao Olhar Digital, ele segue estável, sem complicações. Já no domingo (15), sua esposa, Renata de Nóbrega, disse à CNN Brasil que ele se encontrava em unidade semi-intensiva, consciente e lúcido. De acordo com o Olhar Digital e o G1, Renata, que atua como médica, também apresentou sintomas da infecção, porém não foi necessário que ficasse internada.
O Coxsackie pertence ao grupo dos enterovírus, família à qual também pertence o vírus da poliomielite. Essa espécie se subdivide em dois grupos. O grupo A reúne 23 tipos e relaciona-se com a síndrome mão-pé-boca, acometendo principalmente crianças de pouca idade. Já o grupo B conta com seis tipos e costuma estar mais ligado a problemas em órgãos internos, entre eles coração, pâncreas, fígado e sistema nervoso.
O tipo 2 existe nos dois ramos. Metrópoles, Olhar Digital e G1 informam que a assessoria do apresentador não esclareceu a qual ramo pertence o vírus identificado nele. A CNN Brasil, por sua vez, publicou que Renata falou em tipo B.
Segundo o cirurgião cardiovascular Ricardo Kazunori, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, citado pelo Olhar Digital e pelo G1, o vírus entra pela boca, multiplica-se no intestino e chega à corrente sanguínea. Ao atingir o músculo do coração, pode causar dano direto às células, e a reação imunológica soma inflamação. Quando a inflamação alcança o sistema elétrico cardíaco, os sinais que regulam os batimentos podem ficar lentos ou ser interrompidos em parte.
Na maioria dos casos de miocardite viral, essas falhas são passageiras. Há relatos raros de bloqueios permanentes que exigiram marcapasso definitivo, inclusive após infecção pelo Coxsackie B2. O aparelho controla o ritmo, mas não elimina o vírus.
A infecção costuma passar despercebida. Um levantamento feito na Itália encontrou sinais de contato prévio com o vírus em cerca de sete em cada dez pessoas analisadas, segundo o Olhar Digital e o G1. Os casos leves costumam ser confundidos com resfriado, diarreia ou febre curta.
O contágio ocorre principalmente pelas fezes, e o vírus pode continuar sendo eliminado por semanas após o fim dos sintomas. Também circula pela saliva e por gotículas respiratórias e pode permanecer em superfícies e objetos.
Não há medicamento específico contra o coxsackievírus nem vacina disponível, de acordo com o Olhar Digital e o G1. O tratamento alivia sintomas e sustenta os órgãos afetados. Em casos de miocardite, ele inclui monitoramento cardíaco e remédios para insuficiência cardíaca.
De acordo com as duas reportagens, os grupos com maior probabilidade de sofrer complicações incluem indivíduos com defesas imunológicas fragilizadas, bebês recém-nascidos e pessoas que já convivem com enfermidades cardíacas ou cerebrais. Sintomas como desconforto torácico, dificuldade para respirar, batimentos cardíacos acelerados e febre que não cede demandam atendimento médico imediato.
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