María Corina Machado retorna à Venezuela após quase um ano no exílio
Líder opositora chega a Barquisimeto e segue de carro para Caracas; EUA atribuem a volta a negociações apoiadas por Washington
A líder opositora venezuelana María Corina Machado voltou ao país neste domingo (25/10), depois de cerca de dez meses fora. Ela foi vista em Barquisimeto, capital do estado de Lara, e depois seguiu de carro em direção a Caracas.
Machado publicou na rede social X a frase “Estou aqui. Com vocês”. Edmundo González Urrutia, que disputou a Presidência em 2024 com o apoio dela, confirmou a chegada e disse que também pretende voltar à Venezuela em breve. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o retorno resulta de negociações de reconciliação apoiadas por Washington. Não foi divulgado como ela entrou no território venezuelano.
Segundo imagens divulgadas por sua equipe, Machado compareceu a uma missa em um santuário católico de Barquisimeto, cercada por apoiadores. Uma testemunha ouvida pela agência EFE relatou que as pessoas cantaram o hino nacional e gritaram “liberdade”. A equipe dela disse que a viagem até Caracas seria feita por via terrestre.
A líder opositora deixou a Venezuela em dezembro de 2025 para receber o Prêmio Nobel da Paz de 2025, em Oslo, na Noruega. Depois da cerimônia, não voltou ao país. Segundo a Reuters, autoridades norte-americanas pediram em junho que ela adiasse o retorno. Os relatos sobre o número de tentativas frustradas variam: a CartaCapital e a Mercopress falam em pelo menos sete, e a The Guardian, em mais de meia dúzia.
O retorno ocorre após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, em janeiro de 2026. A presidente interina, Delcy Rodríguez, vice de Maduro à época, permaneceu no poder e se aproximou de Washington e do presidente Donald Trump. Machado foi desqualificada para disputar cargos públicos por 15 anos, e González Urrutia concorreu à Presidência em seu lugar, na eleição de 28 de julho de 2024. Ele reivindica a vitória, que o governo chavista não reconhece.
Trump afirmou que não sabia de nada sobre o retorno, segundo relatos da EFE e da The Guardian. Em setembro, ele já havia dito que a Venezuela não estava pronta para eleições democráticas, embora tenha esperado que a votação ocorresse em breve. Em discurso na Assembleia Geral da ONU, em 23 de setembro, Delcy Rodríguez disse que haverá eleições presidenciais, mas não informou data.
Machado chegou ao país num momento de negociações entre o governo interino e a oposição. A Plataforma Unitária Democrática, maior coligação opositora, celebrou o retorno e defendeu uma transição “pacífica e ordenada”.
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