Campanha de Lula pede checagem de fatos em tempo real no debate da Globo
Pedido foi enviado à emissora para o confronto com Flávio Bolsonaro marcado para sexta-feira (23).
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) formalizou à TV Globo um pedido para que o debate presidencial de sexta-feira (23) tenha checagem de fatos em tempo real. O confronto será com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato do PL à Presidência.
A solicitação ocorre depois do debate promovido pela TV Bandeirantes no domingo (18), primeiro encontro entre os dois candidatos. Na terça-feira (20), o senador Camilo Santana (PT-CE), coordenador da campanha, já havia dito que a equipe conversava com a Globo sobre o mecanismo. Segundo ele, "é fundamental que haja checagem de fatos". Camilo também afirmou que Flávio "só mentiu para o povo brasileiro" no debate da Band.
Na quarta-feira (21), o ministro da Comunicação Social, Sidônio Palmeira, afirmou que a checagem é necessária "porque Flávio Bolsonaro mente o tempo todo". Ele falou após a cerimônia de sanção do Prospera MEI, no Palácio do Planalto.
Entre as declarações que a campanha de Lula reuniu está a de que o senador afirmou que Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS e preso sob a suspeita de comandar fraudes em aposentadorias e pensões, teria integrado o governo Lula. Flávio também disse não manter escritório com Antunes. Ainda assim, reportagens indicam que uma empresa do senador divide o mesmo endereço com outras 16 companhias ligadas a Antunes.
Outro ponto citado é a posição do senador sobre a retirada da numeração de munições. Ele disse que nunca quis tirá-la, mas apoiou um projeto de lei sobre o tema em 2022. Especialistas afirmam que a proposta, se aprovada, dificultaria investigações de crimes.
Aliados de Lula também dizem que Flávio citou no debate da Band informações não confirmadas por órgãos oficiais, como um suposto áudio em que Daniel Vorcaro fala em pagamentos "por fora" a pessoas associadas a Lula. A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República não reconheceram o material.
Um impasse para a adoção do modelo é que a campanha de Lula já assinou o documento com as regras do debate da Globo. Qualquer alteração na dinâmica do confronto depende de acordo entre as duas campanhas. A Globo não respondeu à reportagem da Exame sobre a mudança de regras.
Sidônio afirmou ainda que Lula não permitirá que Flávio fique atrás dele no enquadramento. Segundo o ministro, "Lula vai ficar no púlpito se necessário".
Uma carta aberta assinada por docentes, estudantes e egressos da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo também reivindica verificação de fatos em tempo real. O texto já reúne mais de 12,5 mil assinaturas. Os autores sugerem que o apresentador faça advertências aos candidatos quando forem divulgadas informações falsas e que, em caso de reincidência, eles percam parte do tempo de fala. Pede-se que essa prática vire regra permanente em emissoras de TV e rádio e que a Globo, a única que promoverá um debate antes do segundo turno, a adote desde já.
A Globo ainda não se manifestou publicamente sobre o pedido da campanha.
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