Reformas em economias emergentes não chegam ao bolso de parte da população
Investidores voltam a países como Argentina, Marrocos e Sri Lanka, mas o custo de vida pesa sobre os cidadãos
Reformas econômicas que atraíram investidores a países emergentes como Argentina, Marrocos e Sri Lanka não melhoraram o padrão de vida de muitos cidadãos, segundo reportagem publicada em 23 de outubro de 2026.
O risco médio global de agitação social chegou neste ano ao nível mais alto em quase uma década, segundo a consultoria Verisk Maplecroft. O analista Torbjorn Soltvedt afirma que a alta de alimentos, combustíveis e energia é sentida de imediato pela população e que a instabilidade pode continuar.
Nos últimos anos, governos reduziram subsídios, liberalizaram o câmbio e cortaram gastos sob pressão do FMI e de investidores. Segundo a reportagem, as economias emergentes devem crescer cerca de 4%, quase o dobro do ritmo das economias avançadas.
Na Argentina, a inflação caiu de quase 300% para cerca de 33% desde a posse de Javier Milei, em 2023. O comerciante Gustavo Raul Perez, dono de uma loja de ferragens perto de Buenos Aires, disse que seus custos de reabastecimento triplicaram e que os clientes gastam menos.
No Marrocos, o investimento estrangeiro direto quase dobrou no ano passado, mas protestos liderados por jovens se intensificaram. O banco central do país atribui ao desemprego persistente a distância entre o desempenho da economia e a percepção dos cidadãos.
O Banco Mundial estima que 1,2 bilhão de pessoas em países em desenvolvimento entrarão na idade ativa na próxima década. Nesses países, os alimentos representam de 30% a 50% da cesta de preços ao consumidor, ante 13% a 14% nos Estados Unidos. Protestos contra o custo de vida também ocorreram na França, na Itália e na Espanha.
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