Argentina identifica restos de oito desaparecidos da ditadura
Ossos foram achados em terreno do Exército anexo ao antigo centro clandestino La Perla.
A Justiça argentina identificou oito desaparecidos da ditadura a partir de restos ósseos encontrados no Loma del Torito, terreno do Exército vizinho ao antigo centro clandestino La Perla. A identificação foi anunciada nesta sexta-feira (23).
Segundo a Justiça, militares transferiram restos mortais de outros locais para o terreno em 1979, com o objetivo de ocultar provas antes de uma inspeção da Comissão Interamericana de Direitos Humanos naquele ano. A inspeção foi motivada por denúncias da comunidade internacional. A Justiça considera que essa transferência ocorreu.
Em entrevista coletiva, na presença de familiares das vítimas, o juiz Hugo Vaca Narvaja tornou públicos os nomes de quatro mulheres e quatro homens. Entre as pessoas identificadas estão Juan Carlos Soulier e María Luisa Salto, além de Mercedes del Valle Ramírez, Mónica Protti de Guillén, Cecilia Pessina de Ávila, Claudio Nardini, Pascual Ludueña e Néstor Acosta.
Graciela Pessina, irmã de Cecilia, disse que a identificação dispensa a prova do desaparecimento: “o osso fala”. Cecilia, psicóloga, foi sequestrada aos 28 anos, em 13 de agosto de 1976. Segundo a família, os restos foram reconhecidos a partir de um osso da mão dela.
Pascual Ludueña, representante sindical da Fiat, desapareceu aos 29 anos, depois de se apresentar em uma delegacia após uma busca na sua casa. Sua sobrinha, Rosa Ludueña, afirmou que ele foi identificado por um osso do pé.
Sebastián Soulier foi sequestrado com os pais quando tinha cinco meses e depois entregue aos avós. Ele soube que o pai, Juan Carlos, está entre os identificados. Disse que, na família, ainda há dois desaparecidos.
A localidade faz divisa com o espaço que abrigou, até 1978, o centro clandestino de detenção e extermínio conhecido como La Perla. De acordo com organizações de defesa dos direitos humanos, algo entre 2.200 e 2.500 pessoas foram submetidas a tortura e mortas nesse lugar. Essas mesmas entidades calculam que a ditadura civil-militar (1976-1983) tenha provocado cerca de 30 mil desaparecimentos.
A Equipe Argentina de Antropologia Forense (EAAF) recuperou centenas de fragmentos ósseos de um número indeterminado de vítimas. A entidade informou que os trabalhos de identificação continuarão até a conclusão da tarefa.
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