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Mundo14h34

Governo da Guiné-Bissau interrompe estudo de vacina contra hepatite B em recém-nascidos

Pesquisador líder diz que o projeto financiado pelos EUA não seguirá no país por falta de aprovação governamental

Por Redação Dado Bruto · Fontes
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Ilustração: prédio de hospital com a cruz no topo
Ilustração: dadobruto.com · sobre as imagens

O estudo de vacina contra hepatite B em recém-nascidos africanos, apoiado pelos Estados Unidos e alvo de forte críticas internacionais, foi interrompido. Segundo o The Guardian, o pesquisador responsável, o dinamarquês Frederik Schaltz-Buchholzer, afirmou na quarta-feira (21) que o estudo não avançará na Guiné-Bissau.

Em publicação no LinkedIn, Schaltz-Buchholzer disse que a equipe não recebeu a aprovação governamental necessária. O ministro da Saúde da Guiné-Bissau, Quinhin Nantote, havia negado na semana anterior que o projeto fosse seguir adiante.

O estudo previa investimento de US$ 1,6 milhão dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) e outros US$ 1,6 milhão de parceiros privados, entre eles a Fundação Pershing Square, ligada ao investidor Bill Ackman, e a Fundação Bluebell.

O governo da Guiné-Bissau agora controla as vacinas que pertenciam aos pesquisadores. Elas foram apreendidas na segunda-feira (19), durante buscas nos escritórios do Bandim Health Project.

O especialista Paul Offit, do Hospital Infantil da Filadélfia, criticou o estudo por considerá-lo antiético. Ele afirmou que a melhor saída é vacinar o maior número possível de crianças, e que o país planeja oferecer a dose ao nascer apenas em 2028.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que todos os bebês recebam a primeira dose da vacina logo após o nascimento, de preferência em até 24 horas, seguida de pelo menos duas doses adicionais. O porta-voz Tarik Jašarević disse que a entidade quer garantir proteção a todos os recém-nascidos no país e no mundo.

O CDC não respondeu se os recursos destinados ao estudo serão usados para aplicar a vacina em todos os recém-nascidos do país. Os pesquisadores dinamarqueses também não responderam aos questionamentos até o fechamento da matéria original.

Segundo a matéria, o desenho do estudo levantava dúvidas sobre consentimento. Quem não aceitasse participar não receberia a vacina, o que, para especialistas, tornaria impossível um consentimento plenamente livre. A hipótese dos pesquisadores era que vacinas vivas, como a BCG, teriam efeito sobre a mortalidade além de prevenir doenças, e que a aplicação simultânea da vacina contra hepatite B poderia reduzir esse efeito. Offit classificou a hipótese como sem base científica.

Schaltz-Buchholzer afirmou que a vacinação ao nascer com ou sem hepatite B não é perigosa. O estudo também avaliaria efeitos colaterais, como problemas de pele e de desenvolvimento neurológico. Segundo a matéria, dezenas de estudos não encontraram relação entre vacinação e autismo.

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