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Mundo49 min

Campanha chinesa contra pardais contribui para perdas agrícolas e fome

Estudo publicado em 2025 estima cerca de 2 milhões de mortes adicionais; governo retirou a ave da lista de eliminação em 1960.

Por Redação Dado Bruto · Fontes
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Em 1958, o governo de Mao Zedong mobilizou a população chinesa para eliminar pardais, acusados de consumir grãos. Com a redução das aves, insetos se multiplicaram nas plantações.

Sem os pardais, cresceram os gafanhotos e outras pragas, que ampliaram as perdas nas colheitas. A política ignorava que as aves se alimentavam de insetos que atacavam as lavouras, sobretudo na época de reprodução.

A ofensiva fazia parte da chamada Campanha das Quatro Pragas, que incluía ainda o extermínio de ratos, moscas e mosquitos. Para afastar os pardais, que acabavam morrendo de cansaço, os moradores faziam barulho batendo em panelas, frigideiras e tambores. Também se recorreu a venenos e à destruição de ninhos.

A queda na produção coincidiu com a Grande Fome, entre 1959 e 1961, durante o programa Grande Salto Adiante. As causas da crise incluem políticas de produção e condições climáticas adversas.

Um estudo divulgado em 2025 por pesquisadores vinculados à Universidade de Chicago e ao National Bureau of Economic Research (NBER), nos Estados Unidos, examinou dados sobre a produção agrícola e a mortalidade daquele período. De acordo com o levantamento, áreas com condições mais propícias para os pardais registraram reduções extras de 5,3% na colheita de arroz e de 8,7% na de trigo, quando comparadas a regiões menos adequadas à espécie. Os autores calculam que a crise de abastecimento tenha provocado cerca de 2 milhões de mortes adicionais.

Em 1960, o governo retirou os pardais da lista de animais a eliminar. Os percevejos passaram a ocupar o lugar da ave na campanha nacional.

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