Bancos iniciam balanços do 3º trimestre com foco na inadimplência
Analistas esperam queda forte no lucro do Banco do Brasil; Bradesco divulga resultado na quinta-feira (22)
A temporada de balanços do terceiro trimestre dos grandes bancos brasileiros começa nesta semana. A qualidade dos ativos é o principal ponto de atenção dos investidores, diante do endividamento elevado das famílias e da inadimplência em alta.
Parte das divulgações ocorre depois do segundo turno da eleição presidencial, marcado para o próximo domingo, 25 de outubro. Segundo a equipe do UBS BB, o tom que os bancos adotarão em suas conferências com investidores também terá peso.
Após o primeiro turno, em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) apareceu à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), as ações dos maiores bancos subiram. No dia 5, BTG Pactual Unit avançou 22,52%, Bradesco PN 13,57%, Banco do Brasil 11%, Itaú Unibanco PN 10,37% e Santander Brasil Unit 2,63%. O Ibovespa fechou com alta de 7,7%.
Dados do Banco Central divulgados no fim de setembro mostram que a inadimplência no segmento de recursos livres chegou a 6,6% em agosto, ante 6,4% em julho. É o maior nível da série iniciada em março de 2011. O BC estuda medidas para conter o endividamento, e o mercado passou a considerar possíveis ajustes macroprudenciais, como mudanças no IOF.
O Banco do Brasil é o que mais preocupa analistas. O BTG Pactual vê incerteza sobre o tamanho do aumento das provisões no terceiro trimestre e não descarta queda de 50% a 60% no lucro antes dos impostos, para cerca de R$ 2 bilhões. O JPMorgan rebaixou a recomendação para underweight e afirma que a recuperação pode levar alguns anos. O Citi avalia que os problemas no crédito rural devem persistir em 2027. O balanço será divulgado em 11 de novembro, após o fechamento do mercado. Estimativas compiladas pela LSEG apontam lucro de R$ 3,7 bilhões.
O Bradesco divulga resultado na quinta-feira (22), após o fechamento. Analistas do Safra esperam um resultado levemente negativo, com provisões mais altas. O Citi prevê resultado misto. A LSEG estima lucro líquido de R$ 7,1 bilhões para o trimestre.
Para o Nubank, analistas esperam forte expansão de receitas e aumento das provisões em relação ao trimestre anterior. Eles avaliam que o efeito positivo do programa Desenrola sobre o custo de crédito deve ser menor no terceiro trimestre.
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