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Holanda desenvolve técnica para reconstruir clitóris após câncer de vulva

Em estudo com 18 mulheres, 16 relataram orgasmo clitoriano após a operação, mas os autores apontam que os resultados são preliminares.

Por Redação Dado Bruto · Fontes
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Pesquisadores do Centro Médico da Universidade Radboud, na Holanda, desenvolveram uma técnica para reconstruir o clitóris durante a cirurgia de tratamento do câncer de vulva. O método busca preservar a sensibilidade e a possibilidade de orgasmo quando parte do órgão precisa ser retirada.

Os resultados foram publicados na revista científica Gynecologic Oncology. No estudo, 16 das 18 pacientes operadas relataram conseguir ter orgasmo clitoriano após a cirurgia, o equivalente a 88,9% do grupo. Duas pacientes tiveram complicações ligadas à reconstrução. Nenhuma teve recidiva local do tumor durante o acompanhamento, que variou de 6 a 84 meses.

Até então, a prática padrão era fechar a ferida após a retirada do tumor. Com isso, o tecido remanescente do clitóris ficava sob uma camada de pele, sem atenção à recuperação da função sexual, segundo a equipe. A oncologista ginecológica Mieke ten Eikelder e o cirurgião plástico Tim Nijhuis desenvolveram a nova abordagem.

Na técnica, o cirurgião solta o ligamento que prende o clitóris e o puxa para a superfície, preservando nervos e vasos responsáveis pela sensação. As estruturas são reposicionadas para formar uma nova ponta, coberta com um enxerto de mucosa retirado do interior da bochecha. A pele ao redor é dobrada sobre a ponta, formando uma espécie de capuz que reduz o atrito no dia a dia. Segundo os pesquisadores, o procedimento acrescenta cerca de 15 minutos à operação.

A equipe adaptou um método já usado em pacientes que sofreram mutilação genital feminina. Nos primeiros casos, o enxerto era de pele da própria vulva. Como algumas pacientes relataram sensibilidade reduzida, a equipe passou a usar mucosa bucal.

Em uma atualização que reúne 23 mulheres operadas, o hospital informou que cerca de 90% voltaram a ter orgasmo clitoriano. Segundo essa atualização, as sensações costumam surgir entre três e seis meses após a operação. No estudo de 18 pacientes, o tempo mediano até o orgasmo foi de 3,5 meses, com variação de 1 a 12 meses.

Logo após a cirurgia, o clitóris pode ficar mais sensível ou menos sensível. Segundo Ten Eikelder, a recuperação costuma ser boa após um ano. Na maioria das mulheres, a sensação volta a um nível comparável ao de antes da operação, afirmou a médica à imprensa.

O câncer de vulva é raro e atinge a parte externa dos órgãos genitais femininos, como os pequenos e grandes lábios, o clitóris e a região do períneo. A doença é mais comum após a menopausa e pode estar associada à infecção pelo HPV e a doenças crônicas da pele.

Os próprios pesquisadores ressaltam limitações do trabalho. O estudo tem amostra pequena, foi feito em um único centro, não tem grupo de comparação e se baseia em relatos das pacientes. Segundo o hospital, os próximos passos incluem novos estudos para confirmar a eficácia do procedimento e ampliar seu uso para outros centros da Holanda e de outros países.

Oito outros hospitais holandeses que tratam câncer de vulva participam de um projeto de acompanhamento. Oncologistas ginecológicos e cirurgiões plásticos desses centros serão treinados pelos desenvolvedores da técnica.

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