Abelhas-melíferas afastam polinizadores selvagens em disputa por pólen e néctar
Estudo de pesquisadores da Universidade Anglia Ruskin observou 300 interações em flores de amora-silvestre e hera na Inglaterra
Abelhas-melíferas concorrem com polinizadores selvagens por alimento e vencem a maioria dos confrontos, segundo estudo da Universidade Anglia Ruskin, no Reino Unido, publicado pelo The Guardian. Em áreas com maior concentração de abelhas-melíferas, a pesquisa encontrou menos abelhas selvagens, como mamangavas, abelhas solitárias e moscas-flor.
Os pesquisadores observaram polinizadores durante dois anos, em Cambridgeshire, em flores de amora-silvestre e de hera próximas a colmeias. Foram registradas 300 interações entre cinco grupos: abelhas-melíferas, mamangavas, abelhas solitárias, moscas-flor e um grupo "outros", que incluía moscas, borboletas, besouros e vespas. Em quase todos os casos, a abelha-melífera levou vantagem.
Antes, estudos sugeriam que a espécie prejudicava outros polinizadores apenas ao consumir os recursos. Agora, a pesquisa aponta também a chamada competição por interferência, em que um animal ataca ou expulsa o concorrente. Em cerca de 20% das disputas vencidas por abelhas-melíferas, elas deslocaram ou afastaram os rivais.
Segundo a pesquisadora Victoria Buckle, autora principal do trabalho e doutoranda na mesma universidade, as mamangavas também deslocaram outros polinizadores, mas provavelmente sem intenção, por causa de seus movimentos desajeitados em espaços apertados. Já a agressividade das abelhas-melíferas foi mais explícita. Buckle associa esse comportamento à organização social da espécie, em que algumas operárias fazem a guarda da colmeia.
A abelha-da-hera foi a única capaz de enfrentar as melíferas, expulsando-as e perseguindo-as. Essa espécie foi registrada pela primeira vez no Reino Unido em 2001 e se alimenta principalmente do néctar da hera.
O estudo também constatou que temperaturas mais altas aumentaram o número de disputas, provavelmente porque o néctar secava e as plantas sofriam com o estresse térmico. A temperatura média de verão no Reino Unido pode subir até 4°C até 2080, segundo projeções citadas pela pesquisadora, o que tende a intensificar essa concorrência. Buckle afirmou que são necessárias mais pesquisas para proteger melhor os polinizadores selvagens.
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