PF prepara relatórios sobre seis ministros do STF citados no caso Master
Documentos descritivos seguem orientação de Fachin, que cobrou a apuração de todas as menções a integrantes da Corte.
A Polícia Federal começa nesta quarta-feira (14) a produzir relatórios sobre seis ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e ao menos dois do Superior Tribunal de Justiça (STJ) citados no caso Banco Master.
A elaboração segue a orientação do presidente do STF, Edson Fachin, transmitida em reunião na terça-feira (13) com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e com o diretor-executivo William Murad. Segundo as reportagens, os nomes aparecem em conversas encontradas nos celulares de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro preso em novembro de 2025.
Em ofício enviado à PF, Fachin afirmou que todas as informações sobre eventual envolvimento de integrantes da Corte devem ser apuradas "sem exceção". Ele pediu que o material chegue à presidência do tribunal de forma integral, inclusive com o contexto de cada menção.
De acordo com as fontes, os documentos terão caráter descritivo. Não devem trazer conclusões acusatórias, indícios de irregularidade ou enquadramento penal contra os ministros. A PF deve se limitar a registrar datas de mensagens, interlocutores, siglas usadas nas conversas e registros de viagens ou eventos.
Em fevereiro, a PF já havia entregue a Fachin um relatório de cerca de 200 páginas com dados extraídos do celular de Vorcaro. O material citava o ministro Dias Toffoli, com registros de possíveis encontros entre os dois, mensagens sobre pagamentos e sobre a Maridt, empresa ligada à família do ministro, e a compra do resort Tayayá, no Paraná.
O relatório não foi um documento final de indiciamento. Trata-se de um levantamento de dados para subsidiar investigações. Depois da entrega, Toffoli deixou a relatoria dos processos do Banco Master, e o ministro André Mendonça foi sorteado para o cargo. Em fevereiro, Fachin também arquivou trechos do documento relacionados à suspeição de Toffoli.
O Plenário do STF discute se abre inquérito contra ministros citados no caso. Em 15 de setembro, o julgamento foi suspenso após pedido de vista do ministro Flávio Dino. Segundo a CNN Brasil, o caso foi paralisado nesse ponto, com foco em uma eventual investigação sobre o ministro Alexandre de Moraes.
Os relatórios servirão de base para que a Procuradoria-Geral da República e o STF decidam se haverá investigação. Até o momento, as fontes não informam prazo para a entrega do material ao tribunal.
O número de ministros citados também varia entre as reportagens. O Metrópoles falou em cinco ministros, enquanto as demais fontes mencionam seis integrantes do STF. Os nomes de todos os citados não foram confirmados por mais de uma fonte.
A PF e o STF não divulgaram nota conjunta sobre o conteúdo dos documentos. As reportagens não informam se os ministros citados se manifestaram sobre o material.
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