Startup Recursive lança Flint, modelo de programação que roda em notebook
Empresa diz que sistema de pesquisa automatizado participou de quase todas as etapas do desenvolvimento, feito em menos de quatro meses
A startup de inteligência artificial Recursive lançou nesta quarta-feira (21) o Flint, seu primeiro modelo, voltado à programação. Segundo o TechCrunch, o modelo é gratuito e pode rodar em um notebook. A empresa afirma que o Flint foi construído em grande parte com ajuda de IA, em menos de quatro meses, por uma equipe pequena.
O sistema de pesquisa automatizado da empresa, chamado Eureka Machine, participou de quase todas as etapas do desenvolvimento, segundo a Recursive. Ele gera ideias, conduz experimentos e usa os resultados para definir o próximo passo. Entre suas contribuições, a empresa cita um formato mais esparso do modelo, treinamento de baixa precisão que reduziu o Flint em 71% com perda quase nula de qualidade e kernels personalizados, programas que aceleram cálculos.
O Flint usa a arquitetura de mistura de especialistas: para cada tarefa, ativa apenas 2,5 bilhões dos seus 40 bilhões de parâmetros. Por isso roda em um computador comum. Segundo a empresa, ele gera cerca de 131 tokens por segundo em um MacBook Pro com chip M4 Pro, o dobro de modelos semelhantes testados na mesma máquina. Em um computador com chip RTX Spark, da Nvidia, passou de 150 tokens por segundo.
No SWE-Bench Verified, teste que mede a correção de bugs reais de software, o Flint superou outros modelos com menos de 50 bilhões de parâmetros. Na média de seis testes da própria empresa, só o Qwen3.8 27B, da Alibaba, ficou à frente.
O modelo pode ser baixado gratuitamente no Hugging Face, sob a licença Apache 2.0, que permite uso e modificação sem custo. Como roda no computador do usuário, pode ser usado offline e sem cobrança por volume de texto processado, cobrada por serviços de nuvem.
A empresa reconhece que o Flint exige mais orientação do que assistentes de programação pagos e recomenda dividir tarefas grandes em etapas menores. Em análise publicada pela Wired, o jornalista Will Knight usou o modelo em um Mac com 48 GB de memória para criar pequenos programas e afirmou que o Flint atendeu a todos os pedidos de código, enquanto modelos menores costumavam apresentar erros ou lentidão.
A Recursive não informou quanto tempo a Eureka Machine economizou de seus pesquisadores. O executivo-chefe, Richard Socher, disse à Wired que o objetivo de longo prazo é que o sistema alcance a autoaperfeiçoamento recursivo completo, com humanos supervisionando e podendo interromper o processo. A empresa emergiu do modo discreto em maio, com US$ 650 milhões em aportes, avaliada em US$ 4,65 bilhões.
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