Advogado amigo de Flávio movimenta R$ 5 bi em bets e lidera ranking de apostas em 2025
Nota técnica da Secretaria de Prêmios e Apostas aponta falhas da Blaze na prevenção à lavagem de dinheiro; defesa diz que os recursos são lícitos.
A Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda aponta que o advogado Willer Tomaz movimentou cerca de R$ 5 bilhões em bets em 2025 e foi o maior apostador do país naquele ano.
O documento, uma nota técnica assinada em 1º de outubro pelo subsecretário de Monitoramento e Fiscalização, Carlos Renato Xavier de Resende, cita falhas da Foggo Entertainment, controladora da Blaze, na prevenção à lavagem de dinheiro. Segundo o texto, a empresa não selecionou para análise operações de clientes com grandes volumes, entre eles o de Tomaz. A área técnica recomendou a apuração da conduta da Foggo, com possibilidade de processo administrativo sancionador e aplicação de multas.
Os números variam conforme a fonte e a forma de medição. A Exame informa depósitos superiores a R$ 258 milhões e saques de cerca de R$ 200 milhões. A Folha e a CNN Brasil dizem que Tomaz movimentou cerca de R$ 350 milhões em depósitos e saques combinados, e a Folha acrescenta que os saques passaram de R$ 200 milhões. Já os autos de um processo citados pela Folha falam em 2.145 depósitos somando R$ 325,3 milhões e em 2.733 saques que totalizaram R$ 180,3 milhões.
Segundo a Exame, a SPA contou 1.936 depósitos feitos por Tomaz em 2025, com média de R$ 133 mil cada. O documento também registra saques de valores exatos, como 1.629 de R$ 100 mil, e sequências de operações em intervalos curtos. Um dia, 30 de outubro de 2025, teve cinco depósitos de R$ 500 mil na manhã, outros cinco à tarde e mais quatro à noite, totalizando R$ 7 milhões.
A nota técnica diz que as operações não constituem, necessariamente, prova de lavagem de dinheiro. O principal questionamento do órgão, de acordo com a Exame, é a ausência de procedimentos para avaliar essas movimentações e decidir se elas deveriam ter sido comunicadas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A Foggo manteve Tomaz na categoria de risco médio, classificação que, na avaliação da Secretaria, não condizia com o volume das operações.
A Polícia Federal investiga as movimentações de Tomaz. Segundo a Folha, a PF suspeita que elas possam ocultar a origem de recursos ilícitos. O Metrópoles também relata que a investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de apostas. A Exame informa ainda que Tomaz é investigado pela PF no âmbito de apurações sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Em nota, o advogado afirma que as movimentações são lícitas e compatíveis com seus rendimentos, e que constam de sua declaração à Receita Federal. Ele também diz que as cifras divulgadas não correspondem à realidade, porque o volume apostado soma reapostas sucessivas de um mesmo montante. Tomaz afirma que o tema é objeto de ação judicial em curso. A Folha registra que ele questionou o vazamento de um documento técnico com dados protegidos por sigilo em período eleitoral.
Tomaz é amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato do PL à Presidência. A Folha informa que uma holding de apostas online de propriedade de Tomaz pagou voos entre Portugal e França para Flávio em 2025. A Exame diz que o senador já usou uma aeronave da qual uma empresa de Tomaz detém uma cota, em viagem da Flórida a Brasília em janeiro de 2022.
Flávio afirma que a relação com Tomaz é exclusivamente de amizade. Segundo a Folha, ele disse que associar essa afinidade a suspeitas de irregularidades é “mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos”. O Metrópoles registra que o senador nega irregularidades e declarou que “não se pode criminalizar uma amizade”.
As fontes divergem sobre a situação de Flávio no caso. A Folha informa que a campanha do senador disse que ele não é investigado no Supremo Tribunal Federal e que os autos enviados ao STF ainda não foram convertidos em inquérito. A Folha também diz que Flávio e Tomaz são investigados no mesmo inquérito sobre fraudes no INSS. O Metrópoles afirma que o caso está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, no STF. A reportagem não encontrou manifestação da PGR nem decisão judicial que confirme a versão de cada lado.
Tomaz move ação contra a Blaze em que afirma sofrer de ludopatia, transtorno ligado ao vício em apostas, e pede a devolução de R$ 163 milhões perdidos na plataforma, segundo a Exame e o Metrópoles. A Foggo afirmou que não comenta processos judiciais em andamento e declarou que “a companhia reitera seu compromisso com a transparência, a ética e a estrita observância do arcabouço legal vigente no país”.
Comentários
- Carregando comentários…