Moraes manda PF juntar mensagens sobre fonte de jornalista do Maranhão
Delegado alertou para o sigilo constitucional da fonte; ministro citou indícios de perseguição a Flávio Dino
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, mandou a PF juntar aos autos mensagens que podem identificar a fonte do jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida. A decisão foi tomada em 8 de abril, após alerta de um delegado sobre o sigilo da fonte.
No ofício, o delegado Antonio Carlos Knoll de Carvalho disse não ter juntado os diálogos, porque podem estar protegidos pelo artigo 5º, inciso XIV, da Constituição. No mesmo dia, Moraes apontou indícios do crime de perseguição (artigo 147-A do Código Penal) e fixou prazo de 48 horas para a juntada.
Em agosto, Moraes autorizou busca e apreensão contra o ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão Raimundo Cutrim e contra um advogado. A PF aponta Cutrim como informante do jornalista. A investigação apura suposta perseguição ao ministro Flávio Dino.
A PF informou a Moraes que não é possível afirmar que um pagamento de R$ 100 mil, ligado à compra de um imóvel pelo jornalista, tenha sido feito para financiar reportagens contra Dino. As fontes divergem sobre o destinatário do valor.
O advogado de Cutrim, José Berilo de Freitas Leite Filho, chamou a quebra do sigilo de "aberração jurídica". Moraes afirmou defender a liberdade de imprensa, mas disse que o sigilo da fonte não pode servir de escudo para práticas criminosas. Procurado pela Folha, Moraes não se manifestou. Luís Pablo nega ter monitorado Dino e seus familiares.
A assessoria de Dino negou irregularidades no uso de veículos do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares do ministro.
Comentários
- Carregando comentários…