Pular para o conteúdo
Dado BrutoDado Bruto O fato, antes da versão.

Flávio Bolsonaro diz que manterá reajuste do mínimo acima da inflação

Economista da UFRJ considera incompatível o corte de R$ 250 bilhões com a manutenção dos benefícios atrelados ao piso

Por Redação Dado Bruto · Fontes
Compartilhar
Sede do Banco Central do Brasil, em Brasília
Imagem ilustrativa: Sede do Banco Central do Brasil, em Brasília. Foto: Senado Federal · CC BY 2.0 · créditos

O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou, em entrevista à TV Globo na sexta-feira (16/10), que vai manter os reajustes do salário mínimo acima da inflação. Ele também disse que não desvinculará as aposentadorias do piso nacional.

A fala ocorre após reportagem da Folha de S.Paulo, publicada no início de outubro. Segundo o jornal, interlocutores da campanha estudavam um pacote de contenção de despesas obrigatórias da União, com ajuste inicial de cerca de 2% do PIB, ou R$ 250 bilhões. Entre as medidas em discussão estava desvincular da alta real do mínimo os reajustes da Previdência e do Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Depois da repercussão, Flávio disse que pretende reajustar a aposentadoria acima da inflação. A promessa não aparece no plano de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que prevê ajuste fiscal sem fórmula específica para o mínimo.

O economista Guilherme Klein, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirma à BBC News Brasil que não é possível conciliar as duas propostas do ponto de vista orçamentário. Ele compara o corte de R$ 250 bilhões às despesas discricionárias do Executivo previstas para 2027, estimadas em cerca de R$ 222 bilhões. Para Klein, um ajuste desse porte exigiria mexer nas despesas obrigatórias, em que a Previdência é o principal item.

Do lado do adversário, o candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defende a continuidade da política de valorização real do piso, retomada em 2023. Lula acusa Flávio Bolsonaro de pretender cortar políticas sociais em nome do ajuste fiscal, caso seja eleito. A reportagem não localizou manifestação de Flávio sobre essa acusação além das declarações citadas acima.

Os governos de Michel Temer (MDB) e de Jair Bolsonaro (PL) interromperam os aumentos reais. Nesse período, o salário mínimo registrou perda real de 0,2% em pouco mais de dois anos de Temer e de 1,2% ao longo dos quatro anos de Bolsonaro.

O segundo turno da eleição presidencial está marcado para 25 de outubro. Em março, o coordenador da pré-campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que um eventual governo pretendia revisitar as reformas da Previdência e trabalhista.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade de quem os escreve e não refletem a opinião do Dado Bruto. Use “Denunciar” em qualquer um que viole o bom senso. Ao enviar, você concorda com a política de privacidade: o endereço IP e o horário do envio ficam registrados.

  • Carregando comentários…

Mais em Política

Ver todas →