Protestos contra custo de vida e moradia se espalham por países europeus
Analistas veem causas diferentes nas manifestações, mas apontam descrença comum nos governos; violência na França e na Itália ganhou destaque.
Protestos de estudantes e moradores se espalharam por vários países europeus nas últimas semanas, segundo o The Guardian. Na França, alunos reclamam de salas de aula deterioradas e da falta de professores. Na Espanha, moradores montaram um acampamento no centro da capital contra o preço dos aluguéis.
Manifestações também ocorreram na Bélgica, na Itália e em Portugal, e houve confrontos em Tirana, capital da Albânia. Na Albânia, os atos começaram após uma proposta de construir um resort ligado à família de Donald Trump. Na França, o presidente Emmanuel Macron afirmou no domingo que a "violência desenfreada" foi praticada por franceses. O governo francês descarta relação entre os episódios violentos e a imigração.
O analista de políticas Alberto Alemanno, professor de direito da União Europeia na HEC Paris, afirmou que o movimento é "o alerta mais forte da juventude europeia". Segundo ele, veículos de direita e xenófobos têm procurado apresentar os protestos como uma "revolta pan-europeia", narrativa que considera enganosa.
A chefe do escritório em Paris do Conselho Europeu de Relações Exteriores, Célia Belin, disse que o governo francês não tem resposta para a insatisfação dos estudantes. Ela citou o alto déficit, a dívida pública elevada e um parlamento sem consenso como limites para a ação do Executivo.
A secretária-geral da central sindical francesa CGT, Sophie Binet, afirmou que cerca de meio milhão de pessoas participou dos protestos de sábado. Ela condenou a violência e disse que a saída para a crise passa por atender às demandas.
Mujtaba Rahman, diretor da consultoria Eurasia Group para a Europa, afirmou que não se trata de um movimento europeu único, e sim de uma convergência de movimentos nacionais com causas diferentes. Para ele, a distância entre as expectativas da população e a capacidade fiscal dos governos deve manter a insatisfação no médio prazo.
Em Portugal, o acampamento de ativistas por moradia em Lisboa foi desmontado na terça-feira, e novas convocações para protestos foram feitas. O The Guardian não informou se há previsão de novos atos nos demais países citados.
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