Presidente da Assembleia propõe investigação sobre distúrbios na França
Mais de 3 mil lojas foram saqueadas no sábado; governo aponta a extrema esquerda, e o partido La France Insoumise nega envolvimento.
Protestos e distúrbios violentos atingiram Paris e outras cidades da França no sábado, 17 de outubro. Segundo relatos da imprensa francesa, mais de 3 mil lojas e estabelecimentos comerciais foram saqueados.
A presidente da Assembleia Nacional, Yaël Braun-Pivet, propôs uma investigação parlamentar sobre os distúrbios e sobre a forma como foram organizados. Pichações com a letra A em círculo apareceram em prédios de diversas cidades no fim de semana.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu afirmou que pequenos grupos de extrema esquerda e ultraesquerda planejaram ‘insurreições’. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, disse que a extrema esquerda ‘jogou gasolina no fogo’.
Um relatório de inteligência de 29 de setembro, publicado pelo jornal Le Figaro, descreve a ‘manipulação’ de manifestações estudantis por sindicatos e movimentos de esquerda radical. O documento sugere que o partido La France Insoumise (LFI) usa a violência como estratégia para a eleição presidencial de 2027. O LFI nega a acusação. Seu líder, Jean-Luc Mélenchon, negou com veemência que o movimento tenha instrumentalizado os protestos.
Na Bélgica, o ministro do Interior, Bernard Quintin, atribuiu a violência em Bruxelas e Liège a grupos de extrema esquerda. Na terça-feira (20/10), ele alertou para o que chamou de ‘TikTokização’ da violência, em referência à circulação de imagens nas redes sociais.
Plataformas de venda online prometeram colaborar com as autoridades para identificar saqueadores. A polícia francesa analisa imagens de câmeras de segurança e de redes sociais. O presidente Emmanuel Macron afirmou que todos os responsáveis pela violência ou pelos roubos serão processados. Reportagens dizem que Macron tem sido criticado por não ter garantido a segurança no sábado.
O ex-primeiro-ministro Gabriel Attal, um dos possíveis candidatos à eleição presidencial, pediu o bloqueio seletivo de algumas redes sociais para conter a violência.
Representantes de estudantes rejeitam a tese de manipulação. Lisa Cordat, da associação estudantil FSE, disse ser ‘um insulto’ sugerir que os alunos foram manipulados por políticos. Ela afirmou que as mobilizações foram organizadas por mensagens nas redes sociais e por entidades estudantis.
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